“A imigração é inseparável das outras pautas dos trabalhadores”
NA FOTO: Mesa da esquerda para direita, Constance Salawe presidente do Conselho Municipal do Imigrante, Roque Patussi, Centro Pastoral de Assistência ao Migrante, Julio Turra, assessor da CUT, Barbara Corrales, Executiva PT-Capital, Jaime Torrez, delegado sindical do Sindicato dos Médicos, vereadora Luna Zarattini (PT), Jana Silverman, Socialistas Democráticos da América (DAS), Kathelly Maria, Centro de DHs e Cidadania do Imigrante, Carla Mustafa, OAB-SP, Rosi Wansetto, Jubileu Sul, e Fedo Bacourt, União Social dos Imigrantes Haitianos.
No dia 26 de agosto, como preparação da Conferencia Continental do México sobre o mesmo tema, ocorreu a Audiência Pública “Migrar é um direito, não um delito” na Câmara dos Vereadores de São Paulo.
Chamada pela vereadora Luna Zarattini (PT), que abriu destacando que o “recrudescimento da política imigratória do presidente Trump tem muito a ver com uma política que a extrema-direita mundo a fora colocando os imigrantes como inimigo, que nos EUA estão sendo perseguidos e presos na rua, sem audiência judicial, com extrema violência”.
A mesa (acima) coordenada por Barbara e Jaime, também teve participação online dos Estados Unidos: Álvaro de Castro, Instituto Diáspora Brasil, Heloisa Galvão, Grupo Mulher Brasileira e Caroline Foley, advogada do Central West Justice Center.
Turra, em sua intervenção, destacou que “Trump pretende recuperar o lugar do imperialismo estadunidense no mundo com a combinação mortífera da deportação de milhares de imigrantes, mão forte para Israel no genocídio do povo palestino e agressões sucessivas aos países da América Latina, em especial do Brasil, na relação entre as medidas comerciais com o ingrediente político do julgamento do Bolsonaro”.
Alvaro Lima, destacou que “71,7% dos imigrantes detidos pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE, polícia migratória) não têm antecedentes criminais. O que há é uma cota para que os agentes de imigração prendam 3.000 por dia. O orçamento do ICE passou de 9 bilhões de dólares para mais de 100 bilhões, incluindo 45 bilhões para expansão de centros de detenção”.
Jana Silverman explicou “para nós do DSA não dá para separar o tema de imigração com outras pautas da classe trabalhadora, porque Estados Unidos é um país feito pelos trabalhadores migrantes, que são 18% da população, mais de 52 milhões. E nós não vamos esperar resolver na Justiça ou no Congresso, porque vai ser tarde. Temos uma campanha contra a companhia aérea Avelo que lucra operando os voos de deportação. Queremos banir essa companhia e já conseguimos na cidade de Los Angeles. Então, a resistência é possível, por isso estamos orgulhosos de enviar os dois copresidentes do DAS para a Conferencia no México”.
“Pensar na volta do México”
Rosi Wansetto, destacou a questão da soberania ao defender “o direito de migrar sem muros e sem restrições, pois se para o capital não tem fronteiras, porque para nós, os trabalhadores, tem de ter?”.
Markus Sokol, do Comitê Nacional do DAP avaliou que “há uma escalada, não é à toa esses bilhões pro ICE contratar mais 10.000 ‘patriotas’, como classificam, mais recursos que o FBI – sou prudente em caracterizar regimes políticos mas esse ICE, pela descrição, é um corpo fascista, é incontrolável, presta conta ao “fuhrer” Trump. A Conferência Continental não vai frear as deportações, mas será um ponto de apoio para um movimento mais amplo que existe fora de nós. Já houve reuniões preparatórias em sete países. É uma resistência ao Império que deve continuar, e já devemos pensar na volta do México, por isso, chamo desde já as entidades interessadas a integrar o Comite Preparatório no Brasil”.
Barbara Corrales, DAP-Capital e Jaime Torrez, DAP-ABC