Com 73% de apoio, fim da 6×1 pode ser votada no primeiro semestre e recebe chantagem e o terrorismo dos patrões

A luta pelo fim da escala 6×1 sem redução dos salários ganhou um novo fôlego, chega ao Congresso embalada por um amplo apoio nas pesquisas de opinião e com o impulso do governo Lula III em defesa da aprovação da medida ainda em 2026.

Se é verdade que no parlamento e no governo há um ambiente mais favorável para aprovação do fim da 6 x 1; por sua vez, o empresariado e a extrema direita já iniciaram uma ampla campanha de ataques contra a medida.

No momento, há várias propostas em debate no parlamento. Uma delas é a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL), que busca reduzir a jornada semanal para 36 horas, com uma escala de quatro dias de trabalho para três de descanso, mas que mantém o mecanismo de compensação das horas.

O Senador Paulo Paim (PT) apresentou a PEC 148/2015, que já foi aprovada na CCJ do Senado, que prevê 40 horas semanais, mas com uma escala de 5 dias de trabalho e 2 de descanso, com uma jornada diária de 8h. Proposta semelhante tramita na Câmara dos Deputados, defendida pelo parlamentar mineiro Reginaldo Lopes (PT-MG).

Há também o projeto da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) PL 67/2025 e a PEC 4/2025 do senador Cleitinho (Republicanos-MG). Ambas propõem redução de 44h semanais para 40h em regime de 5X2.

O conjunto das proposições que seguem em discussão no Congresso não implica em qualquer tipo de redução salarial.

A nota técnica divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a pesquisa do Instituto Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados reforçaram mais ainda os argumentos dos defensores do fim da desumana escala 6×1.

Segundo o estudo do Ipea, a redução da jornada para 40 horas semanais teria um impacto inferior a 1% nos custos operacionais das maiores empresas do comércio e da indústria.

A análise do Ipea revela que a manutenção da jornada de 44 horas semanais afeta principalmente os trabalhadores com menor remuneração e baixa escolaridade. Além disso, indica que o aumento da produtividade e a reorganização das escalas de trabalho nas empresas absorverão as mudanças, como ocorreu quando da aprovação da redução da jornada de 48 para 44 horas por decisão da Constituição, promulgada em 1988.

O levantamento do Instituto Nexus, divulgado na semana passada, apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 sem redução salarial.

A pesquisa aferiu ainda que entre os eleitores de Lula, 71% apoiam o fim da escala 6×1, contra 15% que se opõem. Entre os eleitores de Bolsonaro, a proposta alcança a maioria: 53% são favoráveis e 32% contrários.

O vasto apoio da população para o fim da 6×1 não alterou a disposição das entidades patronais de enfrentar a medida – necessária e modernizante das relações de trabalho no país.

Uma cartilha divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apela para falsos argumentos contra o fim da escala 6×1. A entidade patronal faz uma estimativa exagerada de um impacto de 20,7% nos gastos com os trabalhadores formais.

“Em relação à economia, a PEC teria altíssimo custo, na casa das centenas de bilhões para o Brasil, e poderia gerar desemprego e baixa competitividade do país. Neste sentido, a estimativa da CNI aponta um impacto de aumento de gastos com empregados formais na economia brasileira de 20,7%”, afirma um trecho do documento.

Outros setores condicionam a aprovação à redução de impostos e encargos sociais, “dando” com uma mão e tirando com a outra. Afinal são os impostos que financiam serviços públicos e a previdência social, tão necessárias para a maioria do povo.

A luta pelo fim da escala 6×1 exige a mobilização dos trabalhadores e de suas organizações para a garantir um desfecho favorável para a classe. 

A CUT está convocando uma marcha nacional para 14 abril. É a hora dos sindicatos e das centrais retomarem a mobilização nas ruas e nos locais de trabalho. Só assim, vamos criar as condições para aprovação no Congresso e impedir as maquinações urdidas pela aliança da patronal com o centrão e a extrema direita.

Um exemplo disso, é o famigerado projeto do deputado federal Maurício Marcon (PL-RS), que pretende mudar o artigo 7° da Constituição Federal, eliminando a isonomia de direitos trabalhistas mínimos. Uma espécie de aprofundamento da contrarreforma trabalhista promovida durante o governo golpista de Temer. Para Marcon é preciso “libertar o trabalhador da CLT”. Ou seja, é mais exploração e menos direitos! No Congresso inimigo do povo, todo cuidado é pouco. A luta pelo fim da escala 6×1 é inseparável da luta pela ampliação dos direitos trabalhistas, pela revogação das reformas trabalhista e previdenciária e do combate ao trabalho precarizado. É com estas bandeiras que o DAP estará nas ruas.

Milton Alves, do Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista – DAP Associação

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