A guerra Israel-EUA contra o IRÃ

Hospitais, escolas, residências, massacres, horror. Após Gaza e o sequestro de Maduro na Venezuela, os bombardeios dos EUA e Israel no Irã e no Líbano, visam aterrorizar os povos do mundo. As explicações dos EUA para o ataque ao Irã mudam todo dia. Mas a guerra revela a hipocrisia da recente preocupação de Trump e da União Europeia com os direitos humanos no país.

75% dos americanos, em pesquisa, não querem esta guerra. Mas o imperialismo estadunidense quer mostrar que tem o domínio mundial e pode fazer o que quiser.

Esta guerra visa completar o genocídio em Gaza. Trump e Netanyahu querem redesenhar o Oriente Médio, com Israel no centro.

A guerra nem foi avisada aos “aliados” europeus que são arrastados ao conflito. Pelo mesmo Trump que lhes manda assumir mais orçamentos militares em vista da Rússia.

O curso das coisas leva diretamente a China: 90% do petróleo iraniano e, antes do bloqueio, 80% do venezuelano, eram comprados pela China.

Em competição com a China no mercado mundial, Trump desencadeia uma guerra econômica cujo desfecho é imprevisível.

A imprensa está alarmada com os riscos de desestabilização mundial, que já incendiou o Oriente Médio, em vias de desestabilização. O balanço das intervenções militares imperialistas está aí: o Iraque fragmentado, o Afeganistão devastado, a Líbia não existe mais.

Diferente do que dizem comentaristas, não se trata da vontade de Trump de desestabilizar. Mas da sua resposta à crise generalizada do sistema e do fato de que o mercado mundial já está em processo de desintegração – uma crise financeira maior pode surgir a qualquer momento. A guerra, intrínseca ao sistema imperialista, é o único meio de tentar evitar um colapso generalizado. 

Não é uma questão de escolha, mas de necessidade do capital para sobreviver. Os discursos dos Estados Unidos como polícia do mundo mal escondem que o imperialismo mais poderoso, está apuros, como mostram as ruas nos EUA, expressando a fratura na sociedade.

Todos os continentes estão afetados por guerras que tendem a generalizar uma situação global. Não se trata, evidentemente, da repetição da primeira e segunda guerras mundiais, em que os imperialismos se opunham uns aos outros. Mas, trinta anos após a queda da União Soviética todos os equilíbrios mundiais pós segunda guerra foram revirados.

Governos fragilizados frente aos povos, recorrem à militarização da juventude e da sociedade. A indústria de armamentos vai de vento em popa – é um motor para a economia capitalista em crise global. Produzidas em massa, as armas tem que ser vendidas no mercado mundial e usadas. A lógica da economia imperialista é a indústria de armamento, que acumula lucros e impulsiona a guerra (Rosa Luxemburgo).

A única maneira de enfrentar a marcha ao abismo é resistir e organizar, estabelecer laços internacionais entre militantes e organizações sob uma linha de independência no terreno da ruptura com o capital.

Lula e Sanchez
Os dois mandatários, do Brasil e da Espanha, conversaram por telefone dia 4 e Lula aceitou o convite de Sanchez para ir à Espanha dia 17 de abril. Em 40 dias, veremos o que dá.
Trump ameaçou romper relações comerciais com a Espanha porque o primeiro ministro condenou o ataque ao Irã e negou a utilização das bases da OTAN. A medida merece ser apoiada. Mas se questiona por que, então, não fecha essas bases militares.
Lula condenou a agressão ao Irã, correto, diferente da União Europeia e outros governos, árabes inclusive. A Autoridade Palestina até condenou a reação do Irã. Mas a nota do Itamaraty pediu “auto contenção aos dois lados”. Ora, não é igual, há um lado agressor e um lado que se defende. Por fim, os BRICS divididos nem uma nota tiraram.

Markus Sokol, Comitê Nacional do DAP

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