Pesquisas: as instituições no fundo do poço

É hora de uma campanha eleitoral antissistema.

O espectro da preocupação ronda a militância petista. A disputa presidencial se anuncia muito mais dura do que previam os bispos do Planalto. Em parte por causa da superestimação de algumas medidas positivas, mas parciais, tardias e não estruturantes – por isso, passaram -, como no IOF e na elevação do piso do IR para R$ 5.000, em vigor desde janeiro. Justamente o período em que nas pesquisas o favoritismo de Lula declinou em face do “inominável” júnior.

Pesquisa há seis meses do pleito não diz tudo. Mas vamos abrir a lente das pesquisas.

Uma pesquisa Atlas/Intel sobre a confiança nas instituições do Estado, publicada em 17 de março (abaixo), tocou o alarme. “Nem o Exército escapa da desconfiança”, é o título Editorial do Estadão (25 de março). Nos últimos anos, as instituições vêm perdendo credibilidade, mas o Exército, esteio do Estado mantinha o topete com 60% ou mais de confiança – caiu para 27% ! E não é só por causa do 8 de Janeiro, é também porque nada foi feito para reestruturar e limpar o grande bando que se incrustou ali.

O STF de Moraes tido como herói depois do 8 de Janeiro, nunca deixou ser o que era, defendendo causas patronais (Reformas da Previdência e Trabalhista) e também antidemocráticas (Anistia de 79). Agora, o STF foi flagrado em ações obscuras de familiares de juízes, e não apenas no caso Banco Master! O STF baixou para 35% de credibilidade. Daí, resolveu mostrar uma “moralização” e limitar alguns penduricalhos da magistratura. Mas olhando a decisão de perto, foi um fura-teto constitucional, que hoje está em R$ 46.366,19. O STF na verdade validou, até que o Congresso trate do tema (?), que juízes e procuradores mesmo aposentados recebam até R$ 78 mil mensais, ou seja, mais 70%, o que escandalizou o jornal Valor.

A Polícia Federal, por razões evidente, está no “topo” com 56% de confiança, melhor, mas nem tanto.

O Governo Federal registrou uma credibilidade de 37%, que já foi maior.

Quem paga essas pesquisas, nunca pergunta sobre as empresas privatizadas, a reforma previdenciária ou trabalhista, a pejotização ou o “marco temporal”. Uma vez perguntaram sobre o fim da escala 6 X 1, deu quase 70% a favor.

Mas o Congresso, definitivamente, está no fim da linha. Tem 9% de confiança!!

Afinal, foi quem votou aquelas desgraças todas. Ele foi eleito pelo voto uninominal com financiamento privado milionário, além do fundo eleitoral bilionário canalizado pelas oligarquias partidárias; ele não vota reformas populares – militar, do judiciário, agrária, IGF, reestatizações etc. O Congresso está afundado no pântano da corrupção das emendas parlamentares. Por que mereceria mais de 9%! Merece menos.

O que isso tem a ver com a eleição de Lula? Tudo. Há mil razões para o PT e Lula tomarem distância, e subirem o tom na linha anti-sistema que Lula começou a falar.

Realismo, com essas regras eleitorais não vai mudar a “relação de forças” no Congresso, se não piorar.

Uma campanha anti-sistema pela Reforma Política – voto em lista, financiamento público exclusivo e proporcionalidade direta -, deve ser colocada para o debate desde já, na perspectiva do movimento pela Assembleia Constituinte Soberana, com Lula Presidente, para realizar as reformas estruturais pendentes.

O PT e Lula ganham assumindo essa plataforma anti-sistema, para mobilizar a militância e ter credibilidade, baixa nas pesquisas, mesmo que isso incomode alguns dos “aliados” e possa colocar em questão outros.

Ainda é tempo de fazer a coisa certa. Em todo caso, é ao que DAP se propõe.

Markus Sokol, Comitê Nacional do DAP

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