A revolta dos coletes amarelos na França

A REVOLTA DOS COLETES AMARELOS: FORA MACRON!

O aumento no preço do combustível foi o estopim para a deflagração de um movimento inédito na França: o bloqueio de estradas, não por caminhoneiros, mas pela população em geral.

Começou no dia 17 de novembro, sábado, com mais de dois mil pontos de bloqueio espalhados pelo país, reunindo trabalhadores, jovens, aposentados, donas de casa, sindicalistas de base, desempregados, pequenos produtores rurais.

Eles vestiam o “gilet jaune” (colete amarelo), equipamento obrigatório em todo veículo para uso do condutor em emergências. O sábado seguinte, 24, foi marcado por novos bloqueios e uma grande manifestação em Paris, recebida com bombas de gás lacrimogênio e jatos d’água.

Esse movimento expressa a raiva social acumulada diante da permanente retirada de direitos e destruição de programas sociais e serviços públicos que deixam ao abandono bairros e cidades inteiras.

Daí o pânico do governo que calunia os manifestantes chamando-os de “fascistas”. Em 27 de novembro, o presidente francês, Macron, apelou ao “diálogo” porém justificou a manutenção dos aumentos alegando que se destinam a financiar a produção de energias “não poluentes”.

Encontro reuniu 2500 delegados

Nota do editor do site do DAP: o encontro citado foi em 10/novembro, 7 dias antes de estourar a revolta. Invertermos os trechos do artigo original.


Nos anos de 1936 e 1945 a classe trabalhadora francesa realizou importantes mobilizações arrancando conquistas sociais históricas, como o sistema de proteção da seguridade social. Hoje, o governo Macron, como seus antecessores, todos subordinados às exigências da União Europeia, pretende abolir aquelas conquistas. Para isso atacam a democracia, tentam obrigar os sindicatos a convencer os trabalhadores que não haveria outra alternativa, o que provocaria sua destruição.

Para ajudar a organizar a resistência, visando a barrar essas contrarreformas e derrotar o governo, militantes políticos e sindicais de distintas origens constituíram, em outubro de 2017, o “Comitê Nacional de Resistência e Reconquista (CNRR), em defesa das conquistas de 1936 e 1945”.

No sábado, 10 de novembro, em Paris, 2.500 militantes operários, trabalhadores, jovens, parlamentares, participaram de um grande ato público organizado pelo Comitê. Estavam presentes membros do movimento França Insubmissa (de Jean-Luc Mélenchon), Partido Operário Independente (POI), PC francês, PS, sindicalistas de diversas centrais sindicais.

Representando essa diversidade, a mesa foi constituída pelo Comitê de Ligação do CNRR e mais 15 oradores. A seguir, trechos do manifesto adotado. “Uma surda indignação cresce no país. Essa raiva tem uma origem: a política de destruição aplicada por Emmanuel Macron a serviço do capital financeiro.

O alto comissário para a reforma da aposentadoria acaba de declarar: ‘Não é uma reforma da aposentadoria mas uma mudança de sociedade’. E o presidente do Medef (sindicato patronal, NdT) reforça: ‘É a mãe de todas as reformas’.

Todas as bases da civilização arrancadas pela classe operária, todas as conquistas sociais que neste país foram obtidas particularmente nos anos 1936 e 1945 devem ser inteiramente liquidadas. O conjunto dos direitos coletivos deve abrir espaço para uma individualização total, para implantar uma sociedade de indivíduos ‘uberizados’, superexplorados.

De um lado há um governo enfraquecido, em queda livre, cada vez mais isolado, mas que pretende aplicar sua política destruidora custe o que custar. De outro uma revolta que cresce e procura se unificar.

Justamente porque está enfraquecido, o governo quer neutralizar as organizações sindicais, associá-las a seus planos para aprovar as contrarreformas. Mas para dezenas de milhares de militantes operários que não aceitam essa política, é vital a preservação da independência dos sindicatos, para que eles possam cumprir seu papel. Essa é uma questão chave em toda a situação. A crise mundial agravada por Trump, a marcha à desagregação da União Europeia, levam o pânico a todas as cúpulas. Agitando o espantalho da extrema direita, eles ousam dizer “somos nós ou o caos”.

Não! Os povos não são responsáveis pelo caos. A marcha à catástrofe é resultado das políticas exigidas pelo capital financeiro, por suas instituições internacionais, como a União Europeia, pelos governos a seu serviço. Os responsáveis são todos os dirigentes de esquerda que, igual aos de direita, continuam aplicando essas políticas sem parar e, por essa razão, são maciçamente rejeitados.

A imensa maioria da população não quer o caos. Ela quer preservar as bases da civilização, preservar as conquistas sociais e as conquistas democráticas, que são inseparáveis.

Reunidos em Paris, assumimos o compromisso de multiplicar reuniões em todos os locais para ajudar a agrupar todas as forças que resistem.

Vamos ajudar a estabelecer as bases de um plano de salvaguarda da civilização concentradas nas conquistas de 1936 e 1945.”

Assista a uma reportagem de um canal de TV privado da Europa (em Português de Portugal):

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