Quando apoiar uma revolta popular?

Uma pequena dose de formação política: quando apoiar uma revolta popular? O Diálogo e Ação Petista não se reivindica de nenhuma corrente teórica de pensamento, mas podemos aprender com a história, a luz da teoria marxista que pode ser uma bússola para ajudar a identificar o que fazer.

Nessa fase do capitalismo, revoltas têm pipocado por toda parte. É comum ouvir, quando surgem revoltas e não está muito claro o que ocorre, alguns militantes falando que “é coisa da direita”. Isso ocorreu com as jornadas de junho de 2013 e a greve dos caminhoneiros em maio de 2018 no Brasil, ou ainda a revolta dos coletes amarelos na França iniciada em novembro passado. Dúvidas surgem entre alguns militantes quando estouram revoltas. Como avaliar no estágio inicial de uma revolta se ela deve ser apoiada?

Época de “guerras e revoluções”

Vivemos uma época de “guerras e revoluções”, como Vladimir Lênin analisou em seu livro “Imperialismo, fase superior do capitalismo”. Uma época onde “as crises de toda a espécie, sobretudo as crises econômicas, mas não só estas – aumentam por sua vez em proporções enormes a tendência para a concentração e para o monopólio”. A fase Imperialista, para Lênin, é a última fase do capitalismo..

O início da revolução russa de 1905

O método marxista nos ajuda a trazer respostas. Lênin escreve sobre a revolução de 1905 na Rússia czarista(1):

Quem espera uma revolução pura, nunca viverá tempo bastante para vê-la (…) havia massas com os preconceitos mais selvagens, lutando pelos objetivos mais indefinidos e fantasiosos, havia grupelhos que recebiam dinheiros dos japoneses, houve especuladores e aventureiros. Objetivamente o movimento das massas desestabilizava o czarismo(…). A revolução socialista na Europa não pode ser outras coisas que o estalar da luta das massas de oprimidos e descontentes de todos os tipos. Elementos da pequena burguesia e trabalhadores atrasados participam nela inevitavelmente também, trarão ao movimento seus preconceitos, suas fantasias reacionárias, suas debilidades e seus erros. Mas, objetivamente atacaram o capital, a vanguarda consciente da revolução, o proletariado avançado, expressará esta verdade objetiva de uma luta de massas multicolor, dissonante, heterogênea, à primeira vista sem unidade, poderá uni-la e orientá-la e conquistar o poder.” 

Objetivamente

Avaliando objetivamente, atacaram o capital? Vejamos:

  • as jornadas de junho de 2013 reivindicavam “não aos 20 centavos” e se transformou em “não é só pelos 20 centavos, queremos saúde e educação padrão FIFA”, que significava serviços públicos de qualidade; (É verdade que houve tentativa de manipulação da Rede Globo, mas não é objetivo deste texto avaliar isso em profundidade, mas sim o método);
  • A greve dos caminhoneiros em 2018 objetivamente era pela redução do preço do diesel e na prática contra a política desastrosa de preços da Petrobrás de “flutuar com o mercado”, além da definição da tabela de preço mínimo do valor do frete, uma espécie de salário mínimo dos caminhoneiros autônomos, ou seja, uma importante conquista para os caminhoneiros contra “o mercado”;
  •  aumento do preço dos combustíveis, gás e eletricidade também foi o estopim da revolta dos coletes amarelos na França. O Presidente Macron recuou, mas os manifestantes começaram a exigir o fim do governo com a palavra de ordem “Macron: Demissão!” A verificar como isso vai terminar.

(1) Czarismo foi um sistema político que imperou na Rússia desde 1547 até a Revolução de 1917. Czar era o título que se dava ao Imperador Russo e que, durante esse período, governava de forma absoluta, na qual se confundia com o Estado

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