Do “julgamento” de Porto Alegre à prisão de Lula – Retrospectiva 2018

Do julgamento de Porto Alegre à prisão de Lula. Nesta primeira matéria, relembramos o período de janeiro até a data da prisão de Lula em 07 de abril. Período esse que entra para a história do Brasil e do mundo.

Janeiro: “Em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato”

2018 começou com a discussão de retorno da Conferência Mundial Aberta (CMA) contra a guerra e exploração. A CMA, que se reuniu no mês anterior, havia recebido uma moção contra a prisão de Lula. Moção que foi apoiada por mais de 150 delegados de 30 países. Essa conferência ajudou a impulsionar a luta internacionalmente e a preparação das delegações à Porto Alegre.

De norte a sul do país

De norte a sul do país, a luta contra a injustiça a Lula: no Amazonas, jovens da Juventude Revolução do PT foram presos por defender Lula Livre. No Nordeste, na lavagem da escadaria do Bonfim, em Salvador, ou no pré-carnaval no Ceará, organizando a luta.
Em 13 de janeiro, manifestações em várias cidades do país ocorrem. São manifestações “EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DO DIREITO DE LULA SER CANDIDATO”, como em Juiz de Fora/MG.

ato na casa de portugal

Na capital paulista o DAP participou do ato em 18/01 com artistas. Neste ato, o DAP distribui cartazes “Eleição sem Lula é fraude” e “Com Lula contra a reforma da previdência”.
No sul a preparação de delegações pelo PT de Joinville/SC, Pelotas/RS com debate. Porto Alegre/RS preparou a recepção. Em Curitiba/PR foi lançado o Comitê sindical pelo direito de Lula ser candidato com 04 centrais sindicais representadas.

O “julgamento” de cartas marcadas de Porto Alegre

O olhos do mundos estiveram voltados para Porto Alegre/RS em 23 e 24 de janeiro. A cidade foi inundada pelo vermelho, com delegações de todo o país. De forma articulada, os desembargadores do TRF-4 aumentaram a pena de Lula para que o “crime” não prescrevesse.
Sobre o ato,  Júlio Turra, do Comitê Nacional do DAP, disse:

“Cumprimos nosso papel: O DAP participou com uma coluna muito bem organizada, com pirulitos, faixas, cartazes e palavras de ordem”.

Em 25 de janeiro, a Comissão Executiva do PT publica uma nota reafirmando Lula candidato à Presidência da República.

Fevereiro: o carnaval “Fora Temer” e a intervenção militar no Rio

O DAP reforça – apoiado na nota do PT – a formação de comitês amplos pelo direito de Lula ser candidato. Além de organizar, também discute o que aflige os petistas.

Discussão do “Plano B”

Dentro do partido, já em 02/fevereiro, O DAP amplia seu combate contra o “Plano B”. Pois discutir o “Plano B” seria aceitar a injusta condenação do presidente Lula, na visão do DAP. A pressão aumentou com a publicação do texto de Quaquá, Presidente Estadual do PT-RJ.

Temer dobra a aposta e a CUT reage

O governo do impopular Temer ameaça votar a “reforma” da Previdência. A CUT reafirma “Se botar pra votar o Brasil vai parar”. O governo anuncia a votação da “reforma” e a CUT reage convocando greve geral para 19/02.

desfile da Paraíso da Tuiuti
Desfile da Escola Paraíso do Tuiuti critica a “reforma” Trabalhista de Temer

Temer não consegue os votos para atacar a previdência. Temos o carnaval mais político dos últimos tempos:

O governo e os militares se preocupam. Em seguida ao carnaval, Temer decreta intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro no dia 16. Em 19/02, o DAP Rio publica sua posição “Não à intervenção”.

Março: Marielle é executada e Lula sofre atentado

Em vários estados, os grupos de base do DAP tomam a iniciativa de criar os comitês populares. Este comitês promovem debates, panfletagens e outras atividade. São alguns exemplos: Em Diadema/SP um comitê de bairro; panfletagem com sindicato dos coureiros na Mooca em SP; debate com bancários e judiciários em Recife/PE e plenária em feira de Santana/BA.

Vereadora é executada no Rio

meme Marielle
Milhares ocupam a Cinêlandia no Rio

Sob intervenção militar, em 14/março a vereadora do PSOL Marielle Franco é executada no Rio de Janeiro. Um ato é convocado em  15 de março na Cinêlandia. Milhares comparecem, indignados. o DAP também se solidariza, e considera que a execução de Marielle expõe o fracasso da intervenção militar.

O que é isso, senador Jorge Viana?

No dia seguinte, o Senador Jorge Viana (PT-AC) dá uma declaração “confusa” apoiando a intervenção militar no Rio. O DAP critica em artigo de Markus Sokol. Em Diadema/SP, uma discussão é organizada pelo DAP com o Deputado Federal Vicentinho em prestação de contas sobre a Conferência Mundial Aberta.
Na Bahia, o Díalogo e Ação Petista se dirige ao governador Rui Costa (PT) contra a militarização das escolas estaduais

A caravana “Lula pelo Sul”

24/março: Lula em Florianópolis/SC, durante a caravana “Lula pelo Sul”

Em 19/março começa a caravana “Lula pelo Sul”, organizada pelo PT Nacional. O DAP também participa. Grupos de ruralistas fascistas se organizam para atacar fisicamente e bloquear a caravana em várias cidades. O cúmulo desses ataques são os tiros do atentado em 27 de março, na estrada entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no sudoeste o Paraná.

Lula obtém salvo-conduto no Supremo

Em 22/março o STF julga pedido de Habeas Corpus de Lula. O julgamento é suspenso, mas Lula obtém um salvo-conduto até a próxima sessão do Tribunal. O Julgamento só voltaria a ocorrer após o feriado, em 04 de abril.

A importante greve na capital paulista

Paralelo a isso, os servidores municipais de São Paulo entram em greve contra a reforma da previdência municipal. O DAP da capital manifesta solidariedade e apoio à greve. No dia 27, mais de 100 mil servidores municipais de São Paulo derrotam o prefeito João Dória (PSDB), que não obtém os votos necessários e retira da Câmara o PL 621. A luta de classes é intensa em março.

Abril: o julgamento tutelado pelos militares

Lula havia conseguido dias antes o salvo-conduto temporário no julgamento do Habeas Corpus no Supremo. Na noite que antecede o reinício do julgamento, o Jornal Nacional da Rede Globo lê uma declaração do General Villas-Boas. Essa declaração  é uma espécie de pronunciamento à nação e uma pressão ao Supremo. Meses depois, Villas-Boas viria a confessar em entrevista que interferiu para impedir a concessão do Habeas Corpus. Em 04/abril o Supremo Tribunal Federal,  nega por 6 a 5 o pedido de Habeas Corpus. Na mesma data há atos por todo o país pela liberdade de Lula.

Moro atropela e antecipa prisão

No dia seguinte, ignorando os prazos para recursos, o juiz Sérgio Moro decreta prisão de Lula. Ainda no dia 05, dirigentes do PT vão ao Instituto Lula discutir o que fazer. E eles decidem: PT e CUT convocam atos pelo país para o dia 06. Centenas de atos ocorrem. Lula vai para o Sindicato dos Metalúrgicos, onde ocorre a vigília em 5, 6 e 7 de abril.

A vigília em São Bernardo

Lula é carregado nos braços no povo em São Bernardo, antes de se entregar

Os dias 5 e 6 são de muita apreensão e discussão em São Bernardo e em todo o país. No dia 07/04, um grande ato é realizado em São Bernardo. O Brasil parou e o mundo acompanhou nas imagens da TVT o histórico discurso do ex-presidente Lula, em que ele afirma a necessidade da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.

A prisão de Lula

Lula nos braços do povo em São Bernardo do Campo. Foto: Ricardo Stuckert
Lula nos braços do povo em São Bernardo do Campo. Foto: Ricardo Stuckert

Em seu discurso, Lula  informa que decidiu se entregar. A foto que entra pra história não é a de Lula preso. É a foto de Lula carregado nos braços do povo! Ao chegar em Curitiba, a Polícia Federal, sem nenhuma razão, ataca com bombas os apoiadores da liberdade de Lula. Desde a primeira noite em Curitiba, é estabelecido o acampamento “Lula Livre”.

A retrospectiva continua no próximo artigo.

3 comentários em “Do “julgamento” de Porto Alegre à prisão de Lula – Retrospectiva 2018

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